Pesquisa inédita ajuda revelar a idade das cavernas do Geoparque Corumbataí

O território do Projeto Geoparque Corumbataí está novamente em destaque na ciência mundial! A pesquisa que colocou o território em evidência, relata a utilização, pela primeira vez, do método de datação 210Pb para avaliar a taxa de crescimento de estalactites em cavernas de arenito. Esta inovação ajuda a consolidar a Província Espeleológica da Serra de Itaqueri como uma das mais importantes regiões de cavernas areníticas do país.

Foto das cinco estalactites analisadas pelos pesquisadores. Na Província Espeleológica da Serra de Itaqueri, as Estalactites são formadas principalmente por sílica.

A publicação é fruto de pesquisas realizadas no Departamento de Geologia da Unesp Rio Claro. Os pesquisadores responsáveis são o Prof. Dr. Daniel Bonotto e o Geólogo André Ponce Figols, membro do Espeleo Grupo Rio Claro. Os dois cientistas utilizaram um método que é tradicionalmente utilizado para datar espeleotemas em cavernas de calcário. A inovação consistiu na adaptação do método para uso em cavernas de arenito, como é o caso das cavidades na região da Serra de Itaqueri.

Métodos de datação são ferramentas utilizadas por cientistas para determinar quando uma determinada estrutura foi formada, ajudando a entender a história do Planeta Terra.

A pesquisa foi relatada e publicada no Journal of Radioanalytical and Nuclear Chemistry, uma das principais revistas científicas internacionais de Geoquímica, fundada em 1968 e com alto fator de impacto.

Afinal, quanto tempo uma estalactite demora para crescer?

Segundo os resultados obtidos pelos pesquisadores, as estalactites analisadas possuem uma taxa de crescimento que varia entre cerca de 0,2 a 0,4 milímetros por ano. Isso significa que estalactites de aproximadamente 2 cm podem ter demorado de 60 a 100 anos para se formar. É importante ressaltar que essa não é a idade das cavernas como um todo mas apenas das estalactites.

Estalactites são estruturas que se formam no teto de cavernas devido ao gotejamento. Elementos químicos dissolvidos na água vão cristalizando e fazendo com que a estrutura aumente lentamente.

Assim, uma importante questão se apresenta: se as cavernas existem há milhares de anos, porque as estalactites encontradas possuem apenas algumas décadas? Será que o processo de formação dessas estruturas começou apenas recentemente? Ou será que, as que haviam foram destruídas por ação humana ou por processos naturais, como queda de blocos? Essas e outras perguntas são provocações para estimular futuras pesquisas no território.

Em conclusão, os resultados da pesquisa ajudam a contar a história dessas cavernas e também comprovam a necessidade de investigação e proteção do patrimônio espeleológico da Serra de Itaqueri. Ou seja, uma vez que estas frágeis estruturas podem levar séculos para se formarem, qualquer destruição terá um impacto muito alto.

Vista do alto da Serra de Itaqueri
Vista do alto da Serra de Itaqueri, local onde ficam localizadas as cavernas estudadas na pesquisa.

A equipe do Projeto Geoparque Corumbataí parabeniza e agradece os pesquisadores e as instituições responsáveis por mais este importante estudo. Esperamos que o Geoparque seja um atrativo para novas pesquisas sobre o Patrimônio Natural da região. Dessa forma, buscamos um território rico, diverso e ético, onde o conhecimento seja a chave para que a sociedade se desenvolva de forma integrada ao ambiente.

Espeleologia é o ramo da ciência que estuda todos os elementos e processos ligados à formação e evolução das cavernas. Os elementos de maior valor são considerados parte do Patrimônio Espeleológico.

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