Inventário do Geoparque Corumbataí é publicado pela Unesp

Estratificações cruzadas
Cavidade natural mapeada no âmbito do projeto. Foto: Kolya AA, 2019.

Nesta terça, 11 de junho, o Repositório Institucional da Unesp publicou os resultados do 1º inventário do Projeto Geoparque Corumbataí. Fruto de uma pesquisa de mestrado, o estudo fez um levantamento e análise dos locais de interesse geológico na Bacia do Rio Corumbataí.

A publicação é fruto de um estudo de 2 anos, que contou com mais de 500 horas de atividades de campo e cerca de 1.000 trabalhos consultados. O projeto resultou na criação de um sistema de banco de dados com 170 locais cadastrados.

Mapa dos locais de interesse geológico cadastrados no Projeto Geopark Corumbataí. Fonte: Kolya, 2019.

Além de identificar os pontos de interesse, o projeto publicado realizou a quantificação do valor científico e dos potenciais de uso educativo e turístico dos locais. Neste sentido, foram identificados diversos pontos de relevância internacional, que podem projetar a região ao cenário internacional.

Um exemplo são os Mesossaurídeos, fósseis que ajudaram a comprovar uma das mais importantes teorias das Ciências da Terra: a Deriva Continental. Estes fósseis são encontrados em diversos locais do Geoparque Corumbataí e, desde o século IX, são estudados por pesquisadores de diversos países.

Além do levantamento, o estudo publicado apresenta alguns materiais de valorização da Geodiversidade. Esses materiais incluem guias de campo, vídeos educativos e painéis interpretativos feitos para apoiar ações educativas.

Para acessar o trabalho, faça o download na página do repositório clicando aqui.

Para citar o trabalho, utilize: KOLYA, A. de A. Inventário, quantificação e valorização do geopatrimônio na Bacia do Rio Corumbataí (SP): subsídios ao Projeto Geoparque Corumbataí. 2019. Dissertação (Mestrado em Geociências e Meio Ambiente) – Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, SP, 2019.

Salvamento de coquina tem como objetivo contribuir para educação

Uma incrível descoberta no Distrito Industrial de Rio Claro! Assim pode ser chamado o descobrimento de uma coquina, um tipo de concha fóssil, na porção norte da cidade de Rio Claro, entre o Distrito Industrial e o bairro Santa Clara II. Em 24 de abril deste ano, geólogos, arqueólogos, paleontólogos e estudantes se reuniram para fazer o salvamento dessa coquina, uma vez que o local será ocupado por um loteamento. O vídeo a seguir mostra a estrutura fragmentada da coquina, após a escavação.

 

A geóloga e especialista em paleontologia, Rosemarie Rohn, explica que é muito importante fazer o resgate da coquina, uma vez que com a construção do loteamento no local, sua estrutura irá desaparecer. Além disso, sua preservação possibilita o levantamento de dados para estudos próximos. Segundo ela, há na região urbana de Rio Claro uma ocorrência muito rara de coquina da formação Corumbataí. “Coquina é uma rocha formada por uma acumulação de conchas e isso se formou há mais ou menos 260 milhões de anos. Então trata-se de uma coquina muito antiga. Sua presença aqui mostra que na região tinha um mar, era um mar interior, mas era um mar. Essa coquina foi formada por ações de tempestades, e assim, as conchas foram se juntando”, frisa.

O local compreende afloramentos das unidades Formação Rio Claro (Cenozoico) e Corumbataí (Permiano), onde existem feições de valor paleontológico, hidrogeológico, geomorfológico, sedimentar, estratigráfico e estrutural. A área também possui anfiteatro de nascentes. O geólogo André de Andrade Kolya, explica no vídeo a seguir, a composição da coquina.

De acordo com Kolya, as etapas de salvamento se basearam em marcações feitas no solo, escavação para a retirada do material, numeração dos fragmentos, limpeza destes e coleta das conchas fósseis, para posterior levantamento de mais informações sobre a coquina em laboratório, com a finalidade de elaborar uma exposição para estudantes.

Rosemarie comenta sobre a importância da numeração dos fragmentos da coquina, para realizar a coleta do material.

A descoberta da coquina é fruto de um trabalho de iniciação científica da recém-formada em Geologia pela Universidade Paulista (Unesp de Rio Claro), Fernanda Barbosa Bertuluci. Seu orientador, José Eduardo Zaine, conforme pode ser apreciado em seus comentários a seguir, relata como foi essa fase de descobrimento de sua aluna. Posteriormente, Fernanda conta sobre sua conquista.

 

No início e meio dos trabalhos que envolveram a escavação, numeração e coleta da coquina, foi utilizado um drone para fazer imagens dos processos.

O geólogo André de Andrade Kolya explica a utilização do drone e suas funcionalidades.

As ações contribuíram ainda, para o envolvimento de alunos da Unesp de Rio Claro e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), possibilitando a participação até de estudantes de outras áreas, como do graduando em engenharia de produção, Bruno Jamelli Silva Freitas, promovendo a interdisciplinaridade.

Após a descoberta da coquina, Fernanda Barbosa Bertuluci elaborou um trabalho escrito, explicando os elementos geológicos encontrados na região. De acordo com sua análise, o afloramento da camada de coquina compreende uma área de cerca de 10 m², exposta a partir da remoção de vegetação e início de abertura de rua no local. A estudante concluiu que os níveis de conchas fósseis, abundantes antes da urbanização do município, são de ocorrência rara e seu levantamento comprovou que o sítio da geodiversidade possui elevado potencial de uso educacional, porém, em condições de alto risco de degradação. O geólogo e professor Zaine enfatiza, ainda, a colaboração da descoberta para a educação.

 

Nathalie Gallo – Jornalista

MTB 0082608/SP

UNESP apresenta Parque Geológico de Rio Claro em Simpósio de Geoconservação

UNESP apresenta Parque Geológico de Rio Claro em Simpósio de Geoconservação

Atrações do parque incluem répteis fósseis, rochas usadas como artefatos pré-históricos, rochas geradoras de petróleo e uma litoestratigrafia única, que comprova a ligação do Brasil com a África.

mestrando apresenta o projeto durante o simpósio de geoconservação

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente da UNESP Rio Claro apresentou projeto de Parque Geológico durante Simpósio de Patrimônio Geológico. Ocorrido em Ponta Grossa – PR, o simpósio contou com a participação de pesquisadores de diversos países.

O parque proposto localiza-se em Assistência, distrito de Rio Claro, onde ocorrem rochas e fósseis de importante valor geopatrimonial. Após diversas iniciativas de proteção da área, o graduando, em parceria com a diretoria do IGCE, empresas locais e a Secretaria de Meio Ambiente, elaborou um TCC baseado no Parque. O estudo identifica valores e potencialidades do geossítio e faz um estudo de caso do projeto do parque. O trabalho pode ser lido e baixado gratuitamente no Repositório Institucional da UNESP clicando aqui.

valores da formação Irati incluem rochas, fósseis, roteiros didáticos, artefatos pré-históricos, entre outros

O aluno foi orientado pelo Prof. Dr. José Eduardo Zaine que acompanhou a apresentação do trabalho, junto com uma equipe da UNESP e pesquisadores de outras universidades. Após a apresentação, o mestrando respondeu às duvidas e curiosidades dos presentes. Entre os interessados, estavam pesquisadores de outros Geoparks aspirantes.

Atualmente, o Parque Geológico de Assistência está em fase de aprovação pelo órgão ambiental estadual (CETESB). Caso aprovado, será o 1º parque geológico de rochas e fósseis da Formação Irati no estado de São Paulo. A previsão é que o parque tenha um local para observação da rocha ao ar livre, além auditório e sala de exposições. O parque irá compor a estrutura de geossítios do Geopark Corumbataí. Devido aos valores científico e didático, é esperado um grande número de visitantes de diversos estados e até outros países.

Veja abaixo uma matéria da EPTV sobre o parque:

 

UNESP apresenta trabalho sobre fósseis em Rio Claro

O local possui alto potencial de uso didático e acessibilidade para visitantes

Graduanda da Geologia UNESP Rio Claro apresentou trabalho sobre geossítio de alto valor didático na região de Rio Claro. A apresentação do pôster foi realizada em Simpósio de Patrimônio Geológico ocorrido em Ponta Grossa – PR. Diversos alunos e pesquisadores de universidades do Brasil e de Portugal compareceram à apresentação do trabalho.

Aluna apresenta o trabalho para diversas pessoas
O Trabalho foi muito procurado pelos presentes no evento

O trabalho foi resultado de um importante achado paleontológico no município de Rio Claro. O fóssil, também chamado de coquina, é composto por conchas que permitem interpretar informações sobre o passado da Terra. Seu estudo indica que durante o período geológico Permiano (aprox. 275 Milhões de anos atrás), havia um mar na região onde hoje fica o município de Rio Claro. Outro destaque do local é a facilidade de acesso. O sítio pode ser visitado por alunos das escolas e universidades locais, inclusive sendo acessível para pessoas com mobilidade reduzida, o que mostra o potencial inclusivo do sítio.

Apesar da fragilidade deste notável patrimônio paleontológico, um projeto está buscando alternativas para conservação da coquina, que ocorre em uma pequena área de um empreendimento. Os autores consideram que a Geoconservação pode ser feita sem prejudicar o desenvolvimento socioeconômico local, inclusive valorizando o entorno.

Aluna apresenta para o Prof. José Brilha de Portugal
O Prof. José Brilha da Universidade do Minho (Portugal), grande referência para a realização do trabalho, foi um dos participantes que prestigiaram a apresentação

O geossítio estudado faz parte dos pontos de interesse do Projeto Geopark Corumbataí. Trata-se de um interessante elemento da Geodiversidade da região com diversos valores associados. Futuramente novos estudos podem ser realizados no local, contribuindo com o desenvolvimento da ciência e da educação em Rio Claro.

Clique aqui para acessar o trabalho apresentado.

UNESP, Unicamp e Comitê PCJ se unem em prol do Geopark Corumbataí

No dia 25 de agosto, o Consórcio PCJ recebeu o Grupo de Estudos em Geoconservação da UNESP Rio Claro e a Profa. Luciana Cordeiro Fernandes  da Unicamp Limeira em sua sede em Piracicaba. A pauta do encontro foi a continuidade do Projeto Geopark Corumbataí.

As instituições parceiras discutiram as atividades que vem sendo realizadas no desenvolvimento do projeto e as estratégias futuras. Os presentes sinalizaram a importância da integração do grupo e o planejamento das ações em conjunto.

Para saber mais sobre o Projeto Geopark Corumbataí clique aqui.