Caravana Geopark Corumbataí discute Geoconservação em Itirapina

Reunião em Itirapina aborda proposta de criação de Geoparque em oito cidades da região.

A quarta reunião para apresentar e discutir a criação do Projeto Geoparque Corumbataí aconteceu na última quinta-feira, 15 de março, às 19h, no Anfiteatro Municipal Monsenhor José Maria Fructuoso Braga, localizado na Rua 05, nº 195, no Centro da cidade de Itirapina.

Participantes da 4ª edição da Caravana Geopark Corumbataí, realizada em Itirapina
Participantes da 4ª edição da Caravana Geopark Corumbataí, realizada em Itirapina

O encontro faz parte do conjunto de reuniões intitulado “Caravana Geopark” e foi aberto à população. Compareceram o prefeito de Itirapina, José Maria Cândido, o vereador e presidente da Câmara Fábio Belarmino da Silva, o presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) de Itirapina, Ricardo Luís Gama, o vice-presidente do Comtur de Itirapina, Rodrigo Antonio Vicentim, o professor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Paulista (UNESP) de Rio Claro, José Eduardo Zaine, a professora de Direito da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Luciana Cordeiro de Souza Fernandes, o diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp de Rio Claro, Prof. José Alexandre Perinotto, e representantes da população.

“Já visitamos três municípios e agora estamos aqui em Itirapina. Nossa acolhida pelas Prefeituras de cada cidade e população é muito importante. Espero que essa parceria colha bons frutos. Estamos incentivando o Projeto Geoparque Corumbataí, mas é preciso que as comunidades de cada município abracem a causa para que sejam alcançados os objetivos” Prof. Dr. Alexandre Perinotto
Apresentação do Prof Dr. Alexandre Perinotto, diretor do IGCE da Unesp Rio Claro
Apresentação do Prof Dr. Alexandre Perinotto, diretor do IGCE da Unesp Rio Claro

O Projeto Geoparque Corumbataí é uma iniciativa que visa implementar um Geoparque no território da Bacia do Rio Corumbataí, do qual fazem parte os municípios de Analândia, Charqueada, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Piracicaba, Rio Claro e Santa Gertrudes. Após sua implantação, a próxima etapa é buscar a certificação Geopark da Unesco. “Um Geoparque só existe se naquele território tiver pessoas com cultura e identidade. Para a implementação do Geoparque não é preciso criar novas leis. As leis que já existem continuam a vigorar normalmente”, explicou a professora de Direito da Unicamp, Luciana Cordeiro de Souza Fernandes.

Público presente na Caravana Geopark Corumbataí em Ipeúna
Público presente na Caravana Geopark Corumbataí de Ipeúna, realizada em janeiro

A “Caravana Geopark” é composta por um Grupo de Trabalho (GT) formado por pesquisadores da Unesp e Unicamp. O grupo tem promovido audiências em cada município pertencente à Bacia do Corumbataí, com o objetivo de formar também um GT em cada um dos municípios com representantes do poder público, organizações do terceiro setor, empreendedores locais, proprietários rurais e a comunidade local.

Prefeito de Itirapina faz sua saudação ao público presente na 4ª edição da Caravana Geopark Corumbataí
Prefeito de Itirapina faz sua saudação ao público presente na 4ª edição da Caravana Geopark Corumbataí

Os trabalhos na noite do dia 15 se iniciaram com a apresentação de um vídeo contando como surgiu Itirapina e mostrando suas belezas, com destaque para os tipos de turismo encontrados na cidade, desde o cultural, gastronômico, de aventura, de formação e estudo ao geoturismo. De acordo com o criador do vídeo, o vice-presidente do Comtur, Rodrigo Antonio Vicentim, que também é técnico em meio ambiente e pós-graduado em educação ambiental e recursos hídricos, o foco da apresentação é trazer a parte da história do município, bem como a importância de sua formação geológica.

“Sou nascido e criado em Itirapina. Sinto-me parte da própria história do município. Meus familiares chegarem aqui para usar a ferrovia” Rodrigo Antonio Vicentim

Em seguida, o professor da Unesp, José Eduardo Zaine, explicou o patrimônio geológico da região, abordando o potencial e bases para a criação do Geoparque Corumbataí. Zaine ressaltou elementos de geologia encontrados na região, o mapa da Bacia do Rio Corumbataí, cachoeiras como atrativo turístico, pinturas rupestres, fósseis no município de Rio Claro, bem como as formações rochosas encontradas em Itirapina.

“A região tem uma riqueza cênica incrível, estudos do relevo e sua paisagem permitem destacar as cuestas, por exemplo. A Bacia do Corumbataí é produtora de água porque, no subsolo, tem formações geológicas que funcionam como reservatórios de água. É importante destacar que é preciso proteger nascentes e também reservatórios de água” Prof. Dr. José Eduardo Zaine
Apresentação do Prof. Dr. José Eduardo Zaine da UNESP Rio Claro
Apresentação do Prof. Dr. José Eduardo Zaine da UNESP Rio Claro
“Qualificar o território unindo ações para a criação do Geoparque no território da Bacia do Rio Corumbataí é de suma importância, uma vez que este será o primeiro Geoparque do mundo delimitado por uma bacia hidrográfica e tendo a água como principal mote. A água é bem comum do povo brasileiro” Profa. Dra. Luciana Cordeiro
Apresentação da Profa. Dra. Luciana Cordeiro da Unicamp Limeira
Apresentação da Profa. Dra. Luciana Cordeiro da Unicamp Limeira

A próxima cidade a ser visitada pelo GT será Rio Claro. Até agora a “Caravana Geopark” passou pelos municípios de Corumbataí, Analândia, Ipeúna e Itirapina. “Hoje estive numa sorveteria aqui em Itirapina e conversei com as pessoas sobre as atrações do município e percebi o orgulho delas em pertencerem à cidade, uma vez que falaram sobre a Serra do Itaqueri”, contou Luciana.

A professora aposentada, Maria Helena Pires e Campos Ribeiro, achou o Projeto Geoparque Corumbataí muito interessante e fundamental para os novos tempos.

“Estávamos procurando trabalhar o turismo, mas não tínhamos uma proposta tão abrangente. As apresentações de hoje aprofundaram minha visão sobre essa parte geológica, arqueológica e veio complementar o que já vinha pensando nesta cidade que eu amo” Maria Helena Pires e Campos Ribeiro
Manifestações do publico dando sugestões e compreendendo o projeto
Manifestações do publico dando sugestões e compreendendo o projeto

Para o presidente do Comtur, Ricardo Luís Gama, a proposta no território da Bacia do Corumbataí apresenta dois pontos de vista.

“Um Geoparque neste território possibilita a preservação e também existe a esfera empreendedora, com geração de renda e empregos” Ricardo Luís Gama

Vicentim comentou que as apresentações e discussões que aconteceram são muito atrativas para o tipo de turismo de Itirapina. “Com o Geoparque, vamos trazer as pessoas para ver as riquezas naturais e dar a elas conhecimento técnico, dar informações enriquecedoras de como as rochas se formaram”, exemplificou.

Geoprodutos inspirados no patrimônio natural do Geopark Corumbataí
Geoprodutos inspirados no patrimônio natural do Geopark Corumbataí

Segundo Perinotto, para que essa proposta dê certo são fundamentais a relação turismo e governo em harmonia, o apoio e o investimento de empresários, o envolvimento da comunidade local e regional.

“Esperamos que essa estrutura seja montada. Os destinos turísticos devem se unir oficialmente” Prof. Dr. Alexandre Perinotto

Ao final da reunião a equipe do GT pediu ao Comtur que gerencie o preenchimento das fichas de cadastro de pontos de interesse para o futuro Geoparque e suscitou a formação de um Grupo de Trabalho para figurar como interlocutor entre os demais munícipios e a equipe do Projeto. Ao final das visitas em todas as cidades localizadas no território da Bacia do Rio Corumbataí será finalizado um inventário do patrimônio da Bacia e realizado um evento com todos os munícipios na Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (FCA), em Limeira.

Nathalie Gallo – Jornalista
MTB 0082608/SP(19) 9 9287-9849 – n209462@dac.unicamp.br / ngallo.mestranda@gmail.com
PROJETO GEOPARK CORUMBATAÍ
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS – IG
Mestranda em Ensino e História de Ciências da Terra

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: